Fire Emblem: Fortune's Weave review - Estratégia heróica

 Um épico digno da série.



A Intelligent Systems continua a caminhar com graciosidade uma delicada linha de equilíbrio: introduzir novidades para expandir a escala, sem perder de vista a essência da série e os seus maiores valores. Fortune’s Weave é mais do que um épico para a série Fire Emblem, é um dos primeiros épicos da Nintendo Switch 2.

Fire Emblem: Fortune’s Weave é o mais recente exclusivo Nintendo Switch 2 da Nintendo, um novo RPG tático que conquista com os seus heróis, narrativa, jogabilidade multifacetada e pela forma como te serve estratégia que conquista a tua atenção. Seja pela sua narrativa envolvente com quatro perspectivas diferentes sobre um período específico de um reino, diferentes mecânicas e novos segmentos de exploração, é um novo Fire Emblem cheio de garra.

Mesmo com uma grande quantidade de mecânicas e segmentos de jogabilidade, Fortune’s Weave nunca deixa o jogador assoberbado, deixa-o sempre ansioso por mais narrativa e batalhas. Isto posiciona-o como um jogo no qual vais passar mais de 80 horas e nem dar pelo tempo a passar. Seja a gerir os heróis e os seus companheiros, a tentar recrutar novos aliados, treinar, explorar o reino de Dagda ou a tentar encontrar segredos, há muito para saborear em Fire Emblem: Fortune’s Weave.

Apesar da sua elevada familiaridade, Fire Emblem regressa com várias novidades construídas a partir dos esforços feitos ao longo da série, especialmente Three Houses e Engage. Este novo Fire Emblem volta a apostar em intensos combates estratégicos em grelha (podes perder para sempre aliados, se assim o escolhemos), tens o elemento social que te obriga a gerir o tempo e relações, e tens um mapa mundo para explorar enquanto não chega o dia da principal missão que vai progredir a narrativa. É um jogo multifacetado que vai conquistar a tua atenção.

Narrativa heróica

O jovem Cai, o guerreiro Dietrich, a rainha Theodora, e a orfã Leda são os 4 heróis principais da história de Fire Emblem: Fortune’s Weave. Apesar do personagem principal ser Eshmel (criado no extremamente modesto editor de personagens), este é apenas uma forma de viajarmos para o passado e ajudar os 4 heróis a triunfarem nos Heroic Games. O objetivo principal é descobrir o que aconteceu de errado nas duas vidas durante ou após os Heroic Games para mudar os acontecimentos, o que os vai permitir enfrentar o real terror que ameaça toda a existência.

A ação leva-te para o reino de Dagda e nações vizinhas, com os Heroic Games na capital Dagsion no centro de tudo. Este mapa, locais, Dagsion e os Heroic Games fazem pensar que estamos no Mediterrâneo no tempo dos Romanos. Seja pelos Heroic Games em si e onde são disputados (combates violentos até à morte num coliseu enorme), a arquitetura de Dagsion e as vestes dos habitantes (existe até um local chamado Leiria), é impossível não sentir que estamos numa versão fantasiosa desta região no Império Romano. A execução é muito intrigante, uma vez que existem aqui imensa mitologia cativante.

Existem diversos conceitos interessantes em Fortune’s Weave, como os deuses do templo (figuras altamente respeitadas que governam a humanidade) e a Ordem de Mithras que age nos bastidores para executar um plano misterioso, mas a é a forma como a Intelligent Systems consegue unir tudo que realmente impressiona. Além dos 4 heróis com a sua própria perspetiva dos mesmos eventos nos Heroic Games (frequentemente cruzam-se e ajudam-se), tens um enorme elenco de suporte e todas as 4 narrativas são muito interessantes.

1da está numa missão de vingança, Theodora quer garantir o futuro do reino antes de morrer, Dietrich é viciado em luta e veio de outro continente por isso não conhece nada de Dagsion, e Cai é um jovem de uma pacata aldeia que apenas deseja salvar o pai. De formas inesperadas, as suas vidas cruzam-se e Fire Emblem: Fortune’s Weave incentiva-te a jogar com todos através de narrativas interessantes. Além disso, o elenco recrutável varia entre cada herói e existem eventos que se complementam ao jogar as várias perspetivas, o que ajuda a incentivar a jogar com todos.



Combates por turnos estratégicos e masmorras 3D Além de permitir descobrir boas narrativas e eventos interessantes, como se a Intelligent Systems te quisesse mostrar “Game of Thrones no tempo dos Romandos versão Fire Emblem”, jogar com todos permite jogar todas as batalhas do jogo e isso é o seu maior valor. Os combates de Fire Emblem: Fortune’s Weave permanecem altamente divertidos: respeitam a essência da série com táctica por turnos em grelha, com novas mecânicas que aprofundam a gestão dos personagens.

Para Fortune’s Weave, a produtora não revoluciona, pelo contrário, aposta no que sabe fazer e não inventa, o que neste caso é o suficiente para triunfar. Mesmo com a introdução da mecânica Blaze Hearts (habilidades especiais que consome HP) em conjunto com as já existentes Combat Arts), Fortune’s Weave é o Fire Emblem que conheces. Tendo em conta o quão difíceis podem ser algumas batalhas (especialmente com morte permanente), aprofundar a sua identidade com novas mecânicas que não a deturpam é o suficiente. 

 O sistema de vantagens de ataque continua, a inteligência artificial é muito competente, os inimigos podem ter terríveis, e as principais lutas incluem mecânicas dinâmicas que te forçam a compreender bem a situação para agir de acordo. Além disso, devido às especificidades de cada herói e as suas narrativas, existem combates cujas grelhas são ainda mais dinâmicas, ajudando a sentir que há sempre algo fresco a caminho. Falando em novidades, a produtora expandiu Fire Emblem com masmorras 3D exploráveis: pequenos locais que percorres da mesma forma que percorres o Hub 3D principal. É algo que os fãs viram em Echoes, mas agora expandido. 

Aqui, os combates tornam-se em Confrontos, onde toda a party partilham o mesmo HP e deves escolher com quem atacar. A perspetiva permanece em 3D no combate e é um confronto simplificado por turnos. É uma boa forma de expandir as facetas de Fire Emblem: Fortune’s Weave e apesar da sua simplicidade, é uma boa forma de subir de nível e ajuda na intenção de forçar o jogador a escolher bem como gerir o tempo.

Mapa mundo e relógio

Fire Emblem: Fortune’s Weave recupera a gestão social de Three Houses e o seu sistema de relógio, que te força a escolher bem o que queres fazer e o que podes fazer em cada semana. O jogo dá-te um número de turnos até à próxima missão de narrativa e andar pelos pontos do mapa para chegar aos novos locais gasta turnos. Quando estás dentro de Dagsion não vais gastar turnos ao treinar ou participar em actividades que fortalecem laços sociais, mas existe um número limitado de vezes que o podes fazer em cada semana. Além disso, quando entras numa masmorra ou executas uma batalha clássica relacionada com uma missão secundária num dos pontos do mapa não gastas turno, mas gastas até lá chegar. Tendo em conta que existem fortes incentivos a explorar o mapa e estas masmorras, tens de gerir bem os movimentos. Não é algo particularmente stressante, mas existe a necessidade de estar atento: eu distraí-me, deixei passar o prazo, e perdi uma batalha opcional que me daria boas recompensas, por exemplo. 

Além disso, o mapa permite descobrir segredos e obter armas, sendo recomendado explorar o máximo possível, algo que não podes fazer ao acelerar o relógio e saltar para a próxima batalha de narrativa. Gráficos

A vertente gráfica é provavelmente o único ponto de Fire Emblem: Fortune’s Weave que me fez encorrilhar o nariz. Seja com a consola na TV ou em modo portátil, é fácil sentir que o jogo precisava de uma qualidade gráfica mais consistente. Os personagens de estética anime estão fabulosos, mas os cenários 3D são inconsistentes. Existem partes bonitas, mas no geral, existem demasiados cenários básicos facilmente perceptíveis. É mais fácil perceber isto ao explorar Dagsion, o enorme hub 3D de Fire Emblem: Fortune’s Weave (onde até podes ver um bizarro efeito gráfico a distorcer a imagem à volta do personagem quando corres), mas também é fácil ver isto nas masmorras exploráveis em 3D. Isto sugere que a Intelligent Systems teve dificuldades ao expandir a escala desta faceta da experiência. 

Pequenas mecânicas que engrandecem

Fire Emblem: Fortune’s Weave é um jogo que está repleto de pequenas mecânicas e funcionalidades que engrandecem a experiência de uma forma muito pertinente. Tendo em conta que a experiência pode durar até 100 horas e nem todos têm o mesmo interesse pelos combates ou treino, a Intelligent Systems deixa-te usar várias funcionalidades que aceleram o ritmo do jogo. Se quiseres, podes saltar de imediato para o próximo combate de narrativa e focar na história (o tempo será acelerado e treinas automaticamente), podes avançar as animações de combate, podes acelerar as animações, saltar turnos, usar o combate automático numa ronda, podes reiniciar um combate e manter a XP e também podes podes desligar a morte permanente de personagens (como nos anteriores). Existem várias funcionalidades que ajudam a acelerar o ritmo do jogo para quem o preferir. Existem claras vantagens em jogar sem saltar para o próximo combate narrativo: fortalecer laços sociais para recrutar mais aliados, explorar masmorras para ganhar mais XP e itens de melhoria de armas, sem esquecer o ganho de reputação, mas se quiseres, podes focar-te na narrativa.

Conclusão

A Intelligent Systems está novamente de parabéns pela forma como expandiu a fórmula de Fire Emblem sem largar a essência da série. Fortune’s Weave será muito familiar para os fãs da série e uma progressão das ideias vistas em Three Houses, aqui levadas mais além. O jogo deixa a desejar um pouco na componente gráfica, mas é uma experiência multifacetada, com uma narrativa muito forte que se torna de imediato num dos melhores da Nintendo Switch 2.

Ao longo das minhas horas em Fire Emblem: Fortune’s Weave, não conseguia pensar em mais nada. Numa era na qual existem mil e uma coisas a puxar pela nossa atenção a todo o instante, jogar um jogo totalmente imerso sem tirar os olhos do ecrã da consola é o melhor atestado de qualidade que posso dar a um jogo em 2026.

Prós:Contras:
  • Narrativa cativante
  • Banda sonora
  • Todos os 4 heróis lideram um bom elenco de personagens
  • Estratégia desafiante cuja dificuldade podes personalizar
  • Inúmeras mecânicas que melhoram a experiência sem a tornar mais fácil
  • Qualidade gráfica inconsistente
  • A repetição de algumas batalhas nos Heroic Games

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