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Gran Turismo Sport na PS4 Pro: primeiras impressões

Kazunori Yamauchi, CEO da Polyphony Digital e director de Gran Turismo Sport para a PlayStation 4, é uma pessoa focada na atenção e no deta...

Kazunori Yamauchi, CEO da Polyphony Digital e director de Gran Turismo Sport para a PlayStation 4, é uma pessoa focada na atenção e no detalhe. Criador de uma série que mudou a concepção dos jogos de automóveis a que estávamos habituados encontrar até meados dos anos noventa, mantém quase vinte anos depois a determinação em tornar mais autênticas e realistas as corridas de automóveis. Na verdade, Gran Turismo é quase uma exibição única do mundo automóvel e poucos jogos se aproximam dela com este alcance.



Quando assistimos em Maio passado à apresentação da nova entrada da série GT na PlayStation 4, Yamauchi comentou que num ritmo quase diário o estúdio japonês produzia uma nova demonstração que melhorava aspectos e corrigia certas falhas. Em pouco tempo é possível modificar o conteúdo e melhorar o aspecto. Esta semana, voltamos a encontrar Yamauchi no evento de apresentação da PlayStation 4, em Londres, para uma renovada sessão de Gran Turismo Sport. Caso é para dizer que após a subida ao palco para uma breve tomada de notas, o trailer que nos mostrou jogabilidade em tempo real e depois uma demonstração para tirar a prova dos nove, deixaram-nos rendidos. O jogo melhorou imenso desde Maio e quase parece um título novo posto a correr no modelo Pro e diante de um televisor de 76 polegadas, capaz de exibir a recentemente introduzida tecnologia a 4K e HDR.

Se no evento anterior o rolamento do pelotão no circuito de Nurburgring era suficientemente apelativo de um GT Sport a correr numa PS4, a situação transitou para diante nesta passagem para o modelo Pro, que a Sony afirma como um endereço para os adeptos de um incremento de qualidade visual nos seus jogos de eleição. Gran Turismo Sport captou imediatamente a atenção dos presentes, projetando-se como um dos jogos mais bonitos. Yamauchi incita mesmo os presentes a aproximarem-se dos televisores e olharem para os detalhes, sem perda ou esbatimento de imagem. A possibilidade de maior resolução gráfica (4K) e o acrescento de melhorias em termos de luminosidade (HDR), modificaram sobremaneira o "trailer". Temos agora um pelotão a rolar sob um por do sol magnífico, com as luzes de presença dos automóveis já ligadas, ressaltando o reflexo das luzes dos veículos nas cores dos bólides de competição.

Yamauchi sublinha que a luminosidade é 100 vezes melhor, capaz de atingir em HDR 10000 nits (luminosidade). Isto é só o começo de uma linguagem e detalhes técnicos que porventura não serão tão relevantes para os jogadores, interessados essencialmente nos jogos, mas ao mesmo tempo reveladores do sentido da evolução tecnológica. O jogo suportará o futuro das TV's em HDR (HDR 10), tem compatibilidade com SDR (Standard Dynamic Range) e apresenta um sistema de "Wide Color", cerca de 64% maior que sRGB.



Entre outros aspectos gerais que reforçam e atestam o incremento da qualidade de imagem em Gran Turismo Sport, destacam-se a relação de cores, através de uma representação realista. Yamauchi aponta para o vermelho Ferrari, que não é capaz de ser replicado num televisor em Full HD. Para representar as cores oficiais das marcas é necessário um televisor capaz de gerar HDR, através de maior poder de luminosidade. Quando questionamos Yamauchi sobre se o jogo correria sempre a 60 fps em SDR ou HDR, recebemos resposta positiva, o que significa que não haverá um sacrifício de performance em fluidez. Enquanto que noutros jogos existem algumas opções, em títulos de corridas como este é o ideal.

O CEO da PD serve-se do modo "photo" ou Scapes para documentar os benefícios do HDR. Das mais de 1000 diferentes localizações, através de fotografias que o diretor do jogo tirou, o Arco do Triunfo, em Paris, transformado em cenário noturno, serve de montra para 3 carros. Não será seguramente uma opção para todos que eventualmente adquiram GT Sport, mas há muito que o este modo me interessa e que de certo modo contribuiu para melhorar as minhas habilidades com uma máquina fotográfica. Queremos sempre obter aquele ângulo perfeito do nosso veículo. Em Scapes as opções são significativas mas a qualidade de imagem é melhor quando obtida através da resolução máxima, proporcionando imagens com um grau de realismo deveras assinalável.


Percebe-se que é com este tipo de tecnologia que a PD se sente mais confortável. Yamauchi sublinha que o desenvolvimento tem sido mais simples e direto, sem os problemas porque passaram por ocasião da produção dos seus jogos para a PS3. Trabalhar com resoluções a 4K, 60 fps e sistemas como Wide Colour é algo que agora se consegue mais facilmente e essa disponibilidade tecnológica terá um papel decisivo no contexto de produção de Gran Turismo.

De mãos fixas ao volante e olhos pregados ao ecrã

É como se quer e merece se desfrutado Gran Turismo Sport, após uma sessão de apresentação; com um bom "set up". Foi o primeiro jogo que experimentamos, mas antes ainda tivemos que ajustar a altura do volante à nossa "bacquet" e encontrar um par de auscultadores capaz de proporcionar um sinal audio, imprescindível nestas andanças. Fizemos corridas em 3 circuitos diferentes e ainda nos lançamos num percurso do tipo rali/cross em terra batida.

A primeira corrida teve lugar no inevitável Nurburgring Nordschleife, na sua extensão de aproximadamente 22 Km, o mais complexo circuito atendendo à estreiteza do asfalto e constantes curvas a subir e a descer. A partir do interior do carro, com a vista do piloto, o tablier do nosso McLaren GT-R exala os detalhes de competição, enquanto que sobre a pista os rivais, após a partida, lutam pela melhor posição no pelotão. A luminosidade é talvez dos factores gráficos aquele que mais prende, assim como os pormenores dos carros. As transições entre claridade e sombra são magníficas e nas zonas com menos luz o detalhe do ambiente mantém-se perfeito.



Apesar da magnífica fluidez (o jogo está a correr a 60 fps), em certos segmentos ainda se detectam quebras, mas pouco regulares. Bem provável que sejam corrigidas em tempo oportuno, porque da "build" de Maio para esta, pouco há de comparável. Até a sensação de condução é muito mais agressiva, especialmente após ativarmos o modo profissional e selecionarmos a dificuldade máxima. Em Nurburgring é todo um desafio que se levanta. Não é tão difícil manter o carro em pista, há outros jogos mais severos nesse capítulo, mas conseguir conquistar posições e subir no pelotão torna-se uma tarefa muito complicada e o mínimo erro é punido com uma atravessa dela ou pião, que imediatamente nos deixa na posição ingrata de ter de sair do "pasto" para ocupar a última posição. Isso aconteceu, mas nem por isso esmoreceu o nosso ânimo, pois continuamos a descobrir cada curva e irregularidade do colossal circuito que se edifica diante.

Pena que a PD ainda não contemple os utilizadores com aqueles poderosos ruídos dos motores e mudanças de engrenagens quase selvagens. Isso contribui para inculcar uma melhor sensação de controlo e velocidade do carro, até para nos situar face aos rivais, cujos motores por vezes chegam a ser mais perceptíveis, consoante o tipo de classe (os actuais LMP1, como híbridos, são deveras silenciosos e numa recta quase se escuta um assobio). Além disso, a ligação dos auscultadores não era perfeita e perdeu-se grande parte do impacto sonoro. Felizmente, grande parte do divertimento neste primeiro contacto residiu na direcção do veículo, com um registo magnífico em termos de aderência ao asfalto.

No circuito Tokyo Highway Express, talvez pela construção das curvas, emaranharas em colossais arranha-céus, mais nos surpreendeu foi a fluidez, como que saída de uma daquelas cabines arcade dos anos noventa. Selecionando um bom bólide de competição, a sensação de velocidade é incrível e a negociação das curvas torna-se apaixonante, especialmente quando entramos numa secção de velocidade rápida para um S intermédio. Acabamos por sofrer dois embates que prejudicaram a classificação final. No tocante aos danos, parece que ainda não é desta que a PD vai revolucionar. Um embate que levaria um piloto a requerer assistência médica é acompanhado por danos meramente cosméticos. Pode acontecer que até ao lançamento a PD nos surpreenda neste ponto.



O circuito de Willow Springs é conhecido mas ainda assim deixou-nos boas impressões, apesar do carro selecionado não ter sido talvez o mais indicado para tirar aproveitamento daquelas curvas longas. Encontrar a trajetória ideal num traçado tão largo pode ser complicado e isso condicionou um pouco em termos de emoção. Apesar disso, boas curvas rápidas negociadas a fundo e igualmente destaque para a luminosidade. Já o traçado de rali deixou-nos num misto; por um lado fica a sensação de que Gran Turismo não está tão talhado para os ralis ou ralicross. A perda de controlo do carro é gigantesca, sobretudo porque o piso parece gelatinoso ou coberto por uma fina camada de gelo que nos deixa facilmente aos ziguezagues. Não ficamos tão convencidos quanto a este circuito, por oposição às deliciosas corridas em Nurburgring e Tokyo Highway Express, duas maravilhas em termos de layout, onde sobressai a qualidade de jogo a 4K e com todos aqueles efeitos e fotografas por segundo que tornam as corridas não só emotivas mas fascinantes a partir da direção agressiva dos poderosos carros de competição. Não há dúvida, Gran Turismo Sport é uma das melhores montras da tecnologia que introduz a PS4 Pro em termos de consolas e os efeitos visuais, especialmente num ecrã de 76 polegadas, capaz de fazer deste um dos jogos mais bonitos que vimos.

2 comentários:

  1. Estou gostando de ver o game sendo polído para suportar o PS4 e o Pro. Pelas imagens o jogo estará com visuais arrasadores aos vistos anteriormente. Para os fanáticos por carros a quantidade de veiculos que o game oferece é baixa porém não me importo muito pois gosto mesmo é de abusar dos super possantes. Espero que a IA do game tenha melhorado pois ultrapassagens em GT são muito fáceis.

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  2. O investimento que fizeram em Gran Turismo Sports foi péssimo. Jogo sem graça, não contêm nenhum elemento tradicional da série, mataram os modos tradicionais só para inclusão das regras da FIA e obrigaram todos terem conexão com a internet para poder salvar o progresso.
    Ao menos deveriam ter restringido as regras da FIA e o modo competitivo online em um modo exclusivo da FIA e, mantido os modos tradicionais da série para aqueles que preferem desfrutar o game offline.
    Aquela desculpa esfarrapada do Kazunori Yamauchi, do desenvolvimento de cada veiculo do jogo demorar em média 6 meses, não faz sentido.
    Joguei esta droga e esta pior que Forza 7 e olha que sou fã da série Gran Turismo desde o primeiro jogo.

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