Xbox e PlayStation a arder: Enquanto a Nintendo bebe gin na tranquilidade

 A bolha rebentou.


A indústria está a passar por uma das fases mais difíceis da sua história. Cegos pela vontade de criar o próximo sucesso multimilionário e obcecados pelas modas do mercado, as grandes editoras gastaram orçamentos astronómicos em projetos gigantescos. O resultado quando esses jogos chegam às lojas? Ninguém joga e ninguém os compra. O desinteresse dos jogadores rebentou a bolha do desenvolvimento AAA, dando lugar a um verdadeiro "banho de sangue". Com as vendas sem conseguir cobrir os custos irrealistas, estima-se que mais de 45 000 postos de trabalho tenham sido cortados nos últimos anos. Mas esta situação não afeta os três grandes criadores da mesma forma. Enquanto dois deles correm desesperadamente com baldes de água para tentar apagar o incêndio nas próprias instalações, há quem assista a tudo de longe, de óculos escuros e com um cocktail na mão.


O fim da era de ouro dos estúdios PlayStation

A Sony Interactive Entertainment, que já foi líder incontestável graças aos seus jogos single-player incríveis, está numa fase complicada, numa espécie de crise de identidade causada pela sua própria ganância. O melhor exemplo deste desastre é a situação na Bungie. Durante muito tempo, a comunidade culpou a gigante japonesa pelos despedimentos no estúdio de Destiny, mas revelações recentes mudaram a história: a Bungie já estava à beira do colapso total. A tão famosa compra da Sony não foi uma jogada de crescimento, mas sim uma "aquisição de emergência" para evitar a falência imediata de um estúdio que estava a gastar dinheiro a um ritmo insustentável.

Infelizmente a tempestade na PlayStation está longe de ter acabado, e os melhores talentos da marca continuam a ser os mais afetados pelo modelo de jogos live-service. Depois do grande fracasso de projetos como Concord, um buraco negro que custou centenas de milhões de dólares e levou ao encerramento da Firewalk Studios, a Sony está a analisar todos os seus estúdios ao pormenor. Ainda no início de 2026, foram confirmados o encerramento da Dark Outlaw Games (fundada há menos de um ano pelo veterano Jason Blundell) e o chocante encerramento da prestigiada Bluepoint Games. Estes nomes juntam-se ao cemitério onde já descansam a London Studio e a Pixelopus.

A Sony encontra-se num beco sem saída em termos orçamentais. Quando os custos de produção exigem vendas na ordem das dezenas de milhões de cópias apenas para compensar os gastos, qualquer título que não seja um sucesso imediato torna-se num risco inaceitável. Fontes internas confirmam que a direção está a preparar ativamente uma nova e dolorosa série de despedimentos. A paciência esgotou-se: os estúdios de longa data que não mostram sinais de rentabilidade serão as próximas vítimas.

Xbox: O banho de sangue e o pânico

Com a PlayStation num momento de crise que se arrasta, a Xbox está numa situação ainda mais complicada. A paciência, com o próprio CEO da Microsoft a dizer que já chegou a hora da Xbox começar a dar lucro. A humilhação interna atingiu um ponto crítico quando os dados revelaram que o YouTube gera mais receitas com conteúdos de jogos da Xbox do que a própria Microsoft com a venda dos jogos. Com a liderança da atual CEO da divisão, Asha Sharma, foi colocado em prática um plano de reset de 100 dias. A pressão é tão grande que já circulam rumores de que a Microsoft pode transformar a Xbox numa subsidiária independente ou separar a marca para proteger a empresa-mãe deste buraco sem fundo de despesas, que já consumiu mais de 20 mil milhões de dólares nos últimos cinco anos sem o rendimento esperado.

Este ultimato financeiro provocou o pânico. Segundo antigos produtores, os estúdios da Xbox estão a viver com medo da reestruturação marcada para julho, que está a ser descrita nos bastidores como um verdadeiro "circo" e um "banho de sangue" iminente que vai custar 1 000 postos de trabalho. Fontes francesas afirmam que o encerramento da icónica Arkane já está decidido, e a adorada Double Fine também está na mira. Já os dias da Compulsion Games estão contados, já que South of Midnight custou mais de 100 milhões de dólares e registou resultados desastrosos no Game Pass. O medo é tão real que estúdios como a Ninja Theory (Hellblade) estão agora a lutar desesperadamente para comprar a sua independência da Xbox antes que as portas se fechem.

Em relação à gestão e aos orçamentos, o caos é total. O líder da Treyarch deixou o estúdio depois de 22 anos, e Craig Duncan, diretor da Xbox Game Studios, demitiu-se apenas 20 meses depois, abandonando o barco no meio de uma tempestade. Já a loucura dos orçamentos continua a não fazer sentido. Descobriu-se que Gears of War: E-Day acumulou uns surreais 400 milhões de dólares em custos de desenvolvimento. Mesmo assim a decisão manteve-se: apesar de precisar desesperadamente de vendas para cobrir este valor, o jogo chega sem versão PS5. A juntar a isto, prevê-se que os componentes das consoles fiquem até cinco vezes mais caros até 2027.

O paraíso da Nintendo

Esta crise não afeta só os fabricantes de consolas. Estúdios independentes e produtoras de renome estão a ser engolidos pelas mesmas circunstâncias. A Don't Nod arrisca a falência total e pode ficar sem fundos já em novembro, especialmente depois da gigante chinesa Tencent ter recusado investir na empresa. Fazer jogos de médio e grande orçamento no ecossistema tradicional tornou-se num grande risco quando não existe ninguém para os comprar.

E no meio deste pesadelo, onde está a Nintendo? Exatamente onde imaginaste: a relaxar na sua rede balançando tranquilamente. A suave transição para a Switch 2 prova que a empresa japonesa não precisa de entrar na corrida maluca por orçamentos de 400 milhões de dólares. A Nintendo manteve os pés bem firmes no chão, concentrando-se no desenvolvimento de jogos polidos e divertidos em termos de jogabilidade, com custos rigorosamente controlados, jogos que os consumidores continuam a comprar compulsivamente, indiferentes aos modelos de subscrição que estão a sufocar a concorrência.

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