Terremoto no Xbox: Phil Spencer aposenta-se, Sarah Bond sai e Asha Sharma é a nova CEO

 Nova CEO promete devolver o "espírito rebelde" à marca e afastar-se da IA "sem alma".

A poucos meses de celebrar o seu 25.º aniversário, a marca Xbox acaba de sofrer a maior reestruturação de liderança da sua história recente. Num anúncio interno chocante, partilhado hoje por Satya Nadella (CEO da Microsoft), foi confirmado o fim de uma era na divisão de videojogos da gigante norte-americana.




As mudanças, que entram em vigor já na próxima segunda-feira, dia 23 de fevereiro, redefinem por completo o topo da hierarquia da Microsoft Gaming:

  • Phil Spencer reforma-se: O icónico líder da Xbox, na Microsoft há 38 anos, abandona o cargo, ficando apenas como conselheiro até ao final do verão para garantir uma transição suave.
  • Sarah Bond abandona a empresa: A atual Presidente da Xbox, até agora vista por muitos como a sucessora natural de Spencer, apresentou a demissão.
  • Asha Sharma assume o cargo de CEO: A antiga executiva da Meta e líder da divisão CoreAI da Microsoft é a nova CEO da Microsoft Gaming.
  • Matt Booty promovido: Passa a ser o Chief Content Officer (Diretor de Conteúdos), e trabalha lado a lado com Sharma para liderar a vasta rede de estúdios.

O legado de Phil Spencer

Spencer assumiu a liderança da Xbox em 2014, herdando o lançamento conturbado da Xbox One. Durante a sua década ao leme, transformou a estratégia da empresa, sendo o principal arquiteto de serviços revolucionários como o Xbox Game Pass e a forte aposta na retro compatibilidade.

O seu mandato ficará para sempre marcado pelas aquisições titânicas que redefiniram o mercado, nomeadamente a compra da ZeniMax (Bethesda) por 7,5 mil milhões de dólares e a histórica aquisição da Activision Blizzard King por 69 mil milhões. Numa carta de despedida emocionada aos funcionários, Spencer afirmou: "Tem sido uma viagem épica e verdadeiramente o privilégio de uma vida [...] Xbox sempre foi mais do que um negócio. É uma comunidade vibrante."


Asha Sharma e o "lixo gerado por IA"


A nomeação de Asha Sharma, que transitou da divisão de Inteligência Artificial da Microsoft em 2024, poderia gerar receios na comunidade sobre uma possível automatização excessiva do desenvolvimento de jogos. Mas Sharma antecipou essas críticas num forte e-mail de apresentação à equipa.

Prometendo devolver o "espírito rebelde" à marca Xbox, a nova CEO traçou três compromissos primordiais: focar em grandes jogos, reatar o compromisso com os jogadores da consola, e respeitar a arte humana.

"À medida que a monetização e a IA evoluem e influenciam este futuro, não vamos perseguir a eficiência a curto prazo nem inundar o nosso ecossistema com lixo de IA sem alma (soulless AI slop)", garantiu Sharma. "Os videojogos são, e sempre serão, arte, construídos por humanos e criados com a tecnologia mais inovadora fornecida por nós."

Estas alterações drásticas são feitas num período delicado para a divisão. Apesar de um alinhamento fortíssimo de jogos prometidos para 2026, como Fable, Forza Horizon 6 e Gears of War: E-Day, as vendas das consoles Xbox Series X|S estagnaram depois de um período de Natal de 2025 considerado muito fraco, acompanhado de aumentos de preço no hardware e no serviço Game Pass.

Resta agora saber como esta nova liderança guiará o ecossistema Xbox na sua próxima geração.




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