Para um momento espetacular em 2026.
Pragmata parece um jogo saído da era da PS3, com aquela energia japonesa que deixou gerações maravilhadas. Outrora abundante, esse engenho parece próximo da extinção e apenas resurge em raras ocasiões. Esta é uma delas, onde o principal objetivo é divertir o jogador e sentir-se energizado pela experiência.
Pragmata mostra como a Capcom está a passar por um momento espetacular. Após conquistar o mundo com Resident Evil Requiem, a companhia japonesa surpreendeu com Monster Hunter Stories 3, mas agora apostou numa nova propriedade intelectual para manter-se em alta. Além disso, continua a figurar como uma das mais poderosas aliadas da Nintendo Switch 2, a mais recente consola da Nintendo.
Pragmata é um jogo simples, cujo design linear me faz pensar nos jogos da era PS3, com uma energia que parece inspirada pela PlatinumGames, que resulta muito bem pois o seu maior propósito é divertir o jogador. Pragmata não veio para salvar a indústria dos videojogos, mas relembra muito bem o porquê de ainda continuarmos a jogar videojogos.
Na era da PS3 e anteriores, jogos como este eram abundantes, dados como garantidos, mas entretanto tornaram-se menos comuns. Para muitas produtoras são vistos como projetos demasiados arriscados, mas a Capcom apostou e conquista mais um brilhante momento em 2026.
Uma narrativa pertinente
Para Pragmata, a Capcom criou um ambiente altamente inspirado na inteligência artificial, algo que também se aplica ao enredo. No papel de Hugh, viajas até uma estação lunar onde os humanos foram atacados pela IA e ficas preso nessa estação com a missão de salvar a Terra. A tua única ajuda é Diana, uma IA de elevado potencial conhecida como Pragmata.
Ao longo dos vários locais da estação, incluindo laboratórios, uma recriação de Nova Iorque repleta de erros gráficos causados por problemas no processo de Lunafilamento (o grande propósito da humanidade neste projeto lunar pois permite construir objetos a partir de material lunar) e até caminhadas pela superfície da Lua, vais descobrir uma história simples, mas pertinente sobre o uso de IA e da mente humana.
Pragmata é um jogo de ação cinematográfica, num ambiente de ficção científica, que se destaca pela mistura de tiros e hacking. A jogabilidade é uma espécie de jogo de tiros na terceira pessoa combinado com Tetris, o que pode tornar-se muito divertido ou muito frustrante. Pausar o teu movimento enquanto movimentas setas num quadro para afectar os inimigos é sem dúvida algo singular, mas poderá afastar muitos jogadores.
No entanto, este é o grande elemento diferenciador de Pragmata. Eu adorei o engenho da experiência e com a exceção de sentir que a mecânica é usada para aumentar desnecessariamente a dificuldade de alguns momentos (especialmente bosses), senti que é fundamental para evidenciar Pragmata como um jogo que vai apaixonar os adeptos da ação japonesa.
Design linear de ação futurista
Pragmata é um jogo de design linear e simples, desenhado para elevado efeito de ação cinematográfica, como nos tempos de glória do género. Aqui, o tom futurista não é transmitido apenas pelo cenário de uma estação lunar, mas também pela jogabilidade de tiros misturada com hacking em tempo real, um olhar inesperado e até arrojado ao género. A estação lunar está estruturada por espaços conectados por um sistema de carris. A partir do Abrigo central onde Hugh e Diana descansam, podes aceder a cada uma das áreas que ficam disponíveis ao progredir na narrativa.
É pena que a viagem rápida apenas funcione para o Abrigo, és sempre forçado a ir primeiro ao Abrigo sempre que mudar de local ou quando queres recuperar as recargas de HP, equipar novos buffs ou benefícios de hack, por exemplo. Fragmenta a experiência, mas permite interagir com Diana e tendo em conta que vais desbloquear imensos perks, és incentivado a experimentar com vários.
Existem perks como hack automático, mais HP, menos dano e outros, que ajudam a personalizar a experiência ou dificuldade, mas no geral, Pragmata não é um jogo difícil, mesmo na dificuldade Padrão. O maior desafio de Pragmata é mesmo lidar com a jogabilidade de tiros e hack em simultâneo que testam os teus reflexos. Frustrante quando falhas, muito recompensadora quando consegues. Quando colocas a mira no inimigo, podes disparar uma arma ou iniciar um hack com Diana, se efetuado com sucesso, atordoa o inimigo, causa dano e deixa os seus pontos frágeis expostos para tirar dano com os tiros.
As armas reforçam o tom futurista do jogo e existem várias que merecem tempo e atenção, especialmente porque algumas são mais eficazes para diferentes inimigos. No entanto, Pragmata é um jogo de timings: saber quando disparar ou esquivar, controlar os espaços para hack de sucesso, e saber como usar cada arma. Os perks e buffs ajudam a maximizar a tua interpretação do que queres fazer no jogo, o que evidencia o quão eficaz é a jogabilidade da Capcom.
Alguns momentos, principalmente relacionados com o hack e a necessidade da Capcom em transmitir a sensação de crescente dificuldade podem resultar em inesperada frustração, mas no geral, Pragmata é um jogo muito divertido. Os bosses não são memoráveis, mas cumprem a função, a variedade de inimigos é baixa, mas cumprem a tarefa de diversificar comportamentos e desafios, enquanto a insistência em limitar-te a espaços pequenos com imensos inimigos vai testar a paciência.
A versão Nintendo Switch 2
Após Resident Evil Requiem e Monster Hunter Stories 3, não resta qualquer dúvida que a Capcom é uma das parceiras da Nintendo que mais está a mimar a sua mais recente consola. Street Fighter 6 foi uma boa amostra do que a Capcom quer para a Nintendo Switch 2 e neste ano de 2026 apresenta um trio de jogos capazes de surpreender.
Jogar Pragmata na Nintendo Switch 2 é trocar qualidade gráfica por portabilidade numa experiência capaz de bons momentos gráficos, mesmo que seja fácil avistar onde foram efetuados os cortes. Jogado numa TV com a Nintendo Switch 2 na base, Pragmata cumpre com o pretendido e tem imensos bons momentos, com pequenas quedas no desempenho. Em modo portátil, a queda na nitidez na imagem é perceptível, enquanto as quedas no desempenho são muito mais frequentes. Ainda assim, é espantoso ver este jogo “nas mãos”.
Conclusão
Pragmata é um jogo de ação linear com um enredo simples, mas interessante, cuja jogabilidade vai conquistar alguns enquanto outros vão ficar irritados com “tiros e Tetris”. Com uma duração de 9 horas, Pragmata está pensado para divertir e termina antes que a sensação de desgaste chegue, mas tens imensos itens escondidos para descobrir, New Game Plus e modo extra para prolongar o tempo de jogo.
