Acelerar pelas estradas do Japão em Forza Horizon 6 é uma experiência visualmente inesquecível e com uma condução exímia. Pode ter jogado pelo seguro e ter alguns solavancos técnicos, mas a quantidade de conteúdo, o amor pela cultura automóvel e a pura diversão estão mais do que garantidos.
A série Forza Horizon é há muito tempo o ponto alto das corridas em mundo aberto, misturando um espírito alegre com uma paixão pelo mundo automóvel. Com Forza Horizon 6, o festival muda-se finalmente para as paisagens do Japão. Depois de passar horas e horas a explorar as estradas nipónicas, só posso dizer uma coisa: este jogo é muito bom. Mas no meio de tanta excelência técnica e diversão interminável, fica a sensação de que a Playground Games escolheu um caminho muito familiar, preferindo jogar pelo seguro em vez de arriscar para atingir a perfeição.
Um Japão deslumbrante, mas com alguns solavancos na estrada
A primeira imagem que Forza Horizon 6 deixa é a sua grandiosidade visual. A recriação do Japão cobre 10 regiões diferentes, incluindo uma versão de Tóquio cinco vezes maior do que Guanajuato no jogo anterior. Na Xbox Series X, o jogo é um espetáculo visual e um salto enorme em termos de qualidade, mantendo uns constantes 60 fotogramas por segundo no modo Performance com visuais mesmo muito bons.
Mas este nível de detalhe tem o seu preço. O jogo tem algumas limitações visuais quanto à distância de renderização. Durante as corridas na Series X, não é raro vermos carros à nossa frente que parecem flutuar no ar, já que as rodas não são rende rizadas quando estão longe de nós, um pormenor estranho e pouco bonito.
Caso o plano seja jogar no PC como a experiência definitiva, e sendo essa versão visualmente espetacular numa máquina capaz de explorar todo o potencial do jogo, há problemas de stutter bastante irritantes. Essas interferências constantes na fluidez do desempenho foram a razão pela qual acabei por jogar quase exclusivamente na Xbox Series X, onde a experiência é francamente muito mais fluida e agradável. A Playground precisa de corrigir esse problema de stutter no PC com urgência mesmo.
A Arte de Conduzir: Opções, Personalização e Autodrive
Se o Japão é o palco, a condução é a estrela principal. Forza Horizon 6 consegue entregar uma experiência de condução muito gratificante, onde cada modelo e categoria exige uma perícia muito própria. É um domínio que sabe particularmente bem quando evoluímos e começamos a entender como cada máquina deve ser conduzida. Cada veículo tem um áudio do motor melhorado e animações atualizadas. Para quem joga com volante, o suporte foi alargado para permitir até 540 graus de rotação, o que dá um toque muito mais autêntico à condução.
Os veículos passam a ter uma ligação ainda mais forte com o jogador com o sistema Car Mastery, em que podes gastar pontos de habilidade acumulados para desbloquear vantagens. A personalização visual também foi melhorada, incluindo a opção de usar matrículas de estilo japonês e a opção de colocar jantes diferentes nos carros. Outra novidade é o Autodrive, integrado na assistente ANNA, que te leva automaticamente até ao destino que escolheres, perfeito para relaxar e apreciar a paisagem, ou até para aquele pequeno intervalo para ir à casa de banho.
Na hora de imortalização dos nossos momentos de glória, preparem-se para uma desilusão: a funcionalidade de repetição é terrível, para ser sincero. Numa era em que o espetáculo visual é tudo, é incompreensível que o jogo continue a não ter algo como se fosse uma transmissão televisiva. O que tem, é uma ferramenta arcaica e sem qualquer tipo de interesse.
O Festival Horizon: Muita festa, carros e os eventos bizarros
Toda a progressão é agora registada no Collection Journal, um diário dividido entre os eventos do Festival e a exploração do Japão. No Festival, regressa o famoso sistema de pulseiras coloridas: começamos com a pulseira amarela (Rookie) e o objetivo é chegar à dourada (Legend). As passagens de pulseiras culminam sempre com eventos especiais, mas são no mínimo bizarros. Há uma vibe de festa, só que o resultado acaba por ser uma coisa meio estranha; são eventos com design duvidoso e até mais fracos do que algumas das corridas que encontramos no mapa.
A economia do jogo também sofre com erros do passado. O jogo facilita em demasia a conquista dos carros (seja através de encontros orgânicos ou dos novos modelos Aftermarket mais baratos que aparecem no mapa). Esta facilidade excessiva em conseguir carros novos retira qualquer sensação de conquista.
O jogo tenta introduzir novidades para compensar, como o novo Garage Customizer e The Estate, que nos deixam editar o layout da nossa garagem e criar pistas personalizadas. Cria um novo elemento, mas acaba por não fazer muito sentido num jogo de carros em mundo aberto, tornando-se numa novidade que não acrescenta real valor à experiência de condução propriamente dita.
Muito para Descobrir: Touge Battles, Tesouros e Comunidade
Longe da campanha de pulseiras, o modo Discover Japan é um convite para percorrer o país. A exploração é recompensada com 14 Barn Finds escondidos (incluindo lendas como o Mazda 787B) e 9 Treasure Cars específicos, como o retro Nissan Figaro. Além da caça a estes veículos raros, o jogo está repleto de referências à cultura nipónica, desde entregas de comida para a RakuRaku Express até à recolha de mascotes em forma de Onigiri ou Edamame. É também a desculpa perfeita para parar o carro nas montanhas, procurar o ângulo ideal e aproveitar a paisagem para tirar aquela foto especial.
Para quem adora uma boa corrida, as Touge Battles são uma excelente opção, com duelos 1 contra 1 nas estradas montanhosas de Hakone ou Haruna. A componente online também aparece de forma orgânica, com eventos multijogador cooperativos e competições a surgirem pelo mapa, criando um grande sentido de comunidade.
O mergulho nesta vibrante cultura de carros é ainda mais profudo com os eventos de Street Racing noturnos, que decorrem em estradas abertas ao trânsito e iluminadas por tochas (flares). Fora do asfalto, os Car Meets em Tóquio são o lugar perfeito para relaxar, exibir as nossas máquinas e interagir com outros pilotos.
Conclusão
A sensação que se tem ao jogar Forza Horizon 6 é muitas vezes contraditória. Por vezes, parece apenas uma versão aperfeiçoada do jogo anterior; noutras, dá a sensação de um grande passo em frente. Independentemente disso, as corridas são variadas e o prazer de jogar está muito presente.
Forza Horizon 6 é um jogo que garante muita diversão e prazer para os fãs do género. É o resultado de uma fórmula aperfeiçoada que, em vez de dar um grande salto em frente, preferiu dar um passo firme e seguro e essa tática funciona bem. A escala foi aumentada e os gráficos são espetaculares, faltando-lhe apenas um pouco de mais ousadia e um "momento wow" que nunca aconteceu.
Mesmo que não te arrisques muito, é óbvio que o Forza Horizon 6 é o melhor jogo de corridas em mundo aberto até hoje. O Japão provou ser o cenário de sonho para a série, recriado com todo o cuidado num mapa onde a alegria de conduzir é pura diversão. É um festival vibrante que celebra a paixão automóvel com mestria técnica. Pela sua escala, pela diversão inesgotável e pelo prazer constante que dá em cada quilómetro, este é um jogo obrigatório, e sem dúvida a melhor experiência da franquia até à data.
